Entendendo a capitalização da Petrobras

14 de September de 2010
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Um dos assuntos mais discutidos atualmente sobre a bolsa de valores brasileira tem sido a Oferta Pública de Ações (IPO) que a Petrobras realizará nos próximos dias. Entre os dias 13 e 22 deste mês, acionistas ou não da Petrobras farão suas ofertas e o preço final será anunciado no dia 23 de setembro. Entretanto esta operação tem sido criticada por alguns analistas no mercado. Para entender melhor esse processo de capitalização da gigante petrolífera brasileira, explicaremos como ele funcionará.

O que é e para que serve a capitalização?

O processo de capitalização tem como objetivo trazer fundos para a empresa sem que a mesma necessite se endividar em bancos ou outras instituições financeiras, sendo assim uma forma mais barata de se arrecadar dinheiro para novos investimentos. Dessa forma, quanto maior for a demanda pelas ações do IPO, maior será o valor de cada ação o que fará com que a empresa arrecade mais fundos.

Portanto a empresa precisa ter demanda para as ações novas lançadas no mercado, caso contrário um excesso de oferta de ações reduziria o preço de mercado das ações da empresa, prejudicando o acionista.

Capitalização da Petrobras

Agora que já conhecemos os motivos pelos quais as empresas lançam novas ações, vamos entender o porquê de a Petrobras estar fazendo isso neste momento e como funcionará este processo.

Como é de conhecimento de todos, com a descoberta do pré-sal, novos investimentos deverão acontecer para a exploração dessa nova área, e estima-se que deverão ser gastos em torno de US$ 220 bilhões até 2014. Entretanto a empresa já chegou a uma dívida de R$ 118,4 bilhões em junho deste ano, conforme dados da BBC. Além disso o teto de endividamento estipulado pela Petrobras é de 35% do valor patrimonial da empresa, sendo que o valor atual de endividamento já representa 34% desse valor.

Dessa forma não restou outra opção a empresa além da capitalização, já que a mesma não pode se endividar mais.

Mesmo assim, a previsão de arrecadação com a maior capitalização da história é de R$ 130 bilhões e para alcançar os US$ 220 bilhões a empresa precisará buscar outras formas de arrecadar fundos, seja por novos endividamentos ou por outra capitalização.

Governo

O governo pretende também não só manter, como aumentar sua participação na empresa com a emissão das novas ações. Entretanto para que o governo federal atingisse esse objetivo, ele deveria gastar uma grande quantia de dinheiro público.

A alternativa encontrada pelo governo federal, para que não fosse necessário nem gastar dinheiro público, nem emitir títulos de dívida pública para financiar a concessão das ações foi a venda de barris de petróleo do pré-sal para a Petrobras pagos em ações da empresa, já que o pré-sal ainda pertence à união. Daí surgiu outra polêmica: qual seria o valor do barril vendido à Petrobras?

Naturalmente os valores divergiam. O governo federal queria valores próximos a US$ 10,00 enquanto os acionistas minoritários desejavam que o barril fosse vendido por valores entre US$ 5 e US$ 6. O valor final acabou ficando próximo da média, fechando pelo valor de US$ 8,51, colocando em dúvida se os acionistas minoritários terão capacidade de absorver a emissão dos novos títulos mantendo a sua posição na empresa, já que esses deverão comprar 34 ações para cada 100 que já possuírem para manter suas posições.

Críticas

Uma forte crítica tem sido a interferência do governo na empresa, que mesmo sendo o acionista majoritário, deveria prestar contas aos acionistas.

Além disso “o preço do barril também causou muita polêmica, dado que este foi determinado pelo presidente da república Luis Inácio Lula da Silva, sendo que o governo é um dos principais atores no processo de capitalização, o que para muitos analistas configura um conflito de interesse”, conforme artigo publicado na BBC.

Outro fator apontado pela BBC é o fato de que especialistas questionam a venda de bilhões de barris de petróleo ainda não explorados, sendo que pode ocorrer de haver menos petróleo que o estimado inicialmente.

Diante de tanta polêmica, tomar a decisão de entrar em uma operação de capitalização, mesmo sendo de uma grande empresa como a Petrobras não é tão fácil quanto parece, ainda mais se considerando que as ações da empresa já se desvalorizaram consideravelmente este ano e mesmo se o interesse for a flipagem (vende papéis comprados na oferta no primeiro dia da negociação), alguns especialistas recomendam no máximo comprometimento de 20% dos recursos na operação, dado que este ano as emissões de ações não mostram o mesmo desempenho dos anos anteriores e o acionista pode se deparar com uma desvalorização do ativo em um primeiro momento.

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